sábado, 18 de junho de 2011

Ao meu amor platônico.


Tenho sentido sua falta mais que o normal. O normal é lembrar de você poucas vezes na semana, naqueles raros momentos onde a minha mente fica vazia e viaja aleatoriamente entre as tarefas do dia e na vontade de dormir, de uma xícara de café, de você.
Ultimamente, tenho sentido uma extrema vontade de você. E na tentativa frustrante de colocar tantas vontades em palavras, em uma carta só pra você, me perco - como sempre, aliás. É assim que me sinto todo o tempo: perdida.
Já não sei o que pensar, com quem falar, ou se deveria te ligar.
A única coisa que sei é preciso de você aqui, agora, já. Preciso das suas palavras sempre tão encantadoras, do seu charme, da sua facilidade em me fazer rir, do seu colo, do seu cheiro, do seu abraço, do seu beijo que nem sequer conheci.
E isso é tudo que eu preciso. Que se danem os planos, as reuniões, o certo e o errado, a realidade. Que se danem os outros. Quero um só dia clichê, somente ao seu lado. Quero flores, quero cartas e promessas de amor, quero beijos, afagos e abraços. Quero você, só você.


"Hoje a noite não tem luar
E eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Onde está meu amor? "

sábado, 16 de abril de 2011

Carta-desabafo-padrão


"Nome da cidade, tanto de tanto de dois mil e tanto.

Nome do destinatário
Envio esta carta porque nunca mais quero você na minha frente. E dessa vez falo sério. Nunca mais quero ouvir a sua voz, mesmo que seja se derramando em desculpas. Nunca mais quero ver a sua cara, nem que seja se debulhando em lágrimas arrependidas. Quero que você suma do meu contato, igual a um vírus ao qual já estou imune.
A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia, o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame.
Fico pensando como chegamos a esse ponto. Como nos permitimos deixar nosso amor acabar nesse estado, vendido e desconfiado. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser. Não quero mais nada que exista no mundo por sua interferência. Não quero mais rastros de você no meu banheiro.
Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar? O tédio a dois - essa é a minha parte no negócio? Sinceramente, abro mão. Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando. Mas antes faço questão de te dizer três coisas.
Primeira: você não é tão interessante quanto pensa. Não mesmo. Tive bem mais decepções do que surpresas durante o tempo em que estivemos juntos.
Segunda: não vou sentir falta do teu corpo. Já tive melhores, posso ter novamente, provavelmente terei. Possivelmente ainda esta semana.
Terceira: fiquei com um certo nojo de você. Não sei por quê, mas sua lembrança, hoje, me dá asco. Quando eu quiser dar uma emagrecida, vou voltar a pensar em você por uns dias.Bom, era isso. Espero que esta carta consiga levantar você do estado deplorável em que se encontra. Mentira. Não espero nenhum efeito desta carta, em você, porque, aí, veria-me torcendo pela sua morte. Por remorso. E como já disse, e repito, para deixar o mais claro possível, nunca mais quero saber de você.
Se, agora, isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes.


Adeus, graças a Deus.


Nome do remetente.


P.S.: esta não é mais uma dessas cartas-desabafo.
 

P.S. do P.S.: esta é uma carta-desabafo-quase-música-de-Adriana-Calcanhoto." 
(Fernanda Young)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Instantâneo.


  Mania feia de estar feliz e pensar que logo aquilo acaba.
Um conformismo chato, o tal do pessimismo nato. Mas dessa vez me convenci que seria diferente.
Ilusão boba.
Dizem que alegria de pobre dura pouco. 
Dura muito menos.

sábado, 27 de novembro de 2010

Necessidade.

"Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: e depois da morte? Mesmo para os descrentes há o instante de desespero: que Deus me ajude. Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. E estou precisando de minha própria força. Sou forte mas também destrutiva. Autodestrutiva. E quem é autodestrutivo também destrói os outros. Estou ferindo muita gente. E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Ou talvez os que menos merecem precisem mais. Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha.Venha antes que seja tarde demais."


Clarice Lispector

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ela... confusa.



Ela expirou profundamente. Um genuíno e singelo sinal de cansaço. Mas dessa vez, não aquele cansaço que sentia toda manhã ao caminhar contra ao vento, quando sentia seu corpo sendo empurrado na direção contrária. Era um cansaço da alma, da mente, do coração.
Fechou os olhos, passou a mão pelos cabelos, seus dedos ficaram presos. Sua vida estava tão embolada quanto seu cabelo, pensou. Era necessário parar, desembaraçar tudo, ou cada vez que seus dedos passeassem pelos seus cabelos sentiria dor outra vez.
Expirou novamente. Não entendia porque sempre deixava tudo pra depois. Essa tendência natural humana à procrastinação a cansava. Aliás, o que não a cansava ultimamente? Procurou em sua mente de maneira superficial, e ainda assim fora difícil encontrar uma resposta satisfatória. Então era isso; se sentia exausta, embaraçada, procrastinada. De novo.
Percebeu então que ultimamente sua vida se tornara chata, rotineira. Tudo era tão (im) previsível que enojava. Agora feliz, porém logo triste... logo sozinha. E assim ia levando, se acostumando. Uma hora rindo, outra chorando, outra esperneando. Não se entendia. Era a bagunça em pessoa. Repleta de nós, tal como seu cabelo emaranhado, cada vez que algo tentava passar por ela, causava dor.
Talvez tivesse alguma tendência a afastar tudo que pudesse trazer dor, observou. Talvez fosse tão covarde ao ponto de fugir em vez de desfazer tanto nó em sua cabeça – literalmente ou não. Talvez acreditasse que para abandonar algo, também é necessário ter coragem.
Se confundiu. Submergiu. Dentro de toda sua confusão, dentro dela mesma.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Férias.


Há algum tempo meu corpo e minha mente indicavam que era necessário uma pausa, antes que tudo entrasse em colapso (pela milésima vez...). Mas, já é praticamente final de ano, dá pra esperar mais um pouquinho. Agora deu pra entender que nunca dá. Deu pra entender que é realmente necessário ouvir a mente, o corpo, o coração. Por muito tempo eu tampei os ouvidos e continuei caminhando sem olhar pros lados. Pode ser bonito de ler, mas não é nada bonito quando seu corpo te faz parar não por bem, mas por mal.
E cá estou, em cima de uma cama, falando pouco, comendo - engolindo - tudo que é necessário. E o necessário nunca é bom.
Mas como toda reposição de baterias, há seu lado bom. É bom reencontrar valores perdidos, valores que na correria parecem tão pouco. Sem opção, me conformo em procurar o lado bom disso tudo.
Até do que me faz chorar, sangrar, dormir pra não lembrar. Até o lado bom do que dói. Literal ou metaforicamente falando.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pensando em você na aula de gramática.

O nosso pretérito é (mais-que) imperfeito. Nossos erros são presentes, nossa felicidade é um pretérito que se prolonga até um futuro (in)certo. Nosso modo é o indicativo.
Do amor.